
Quem me vê pelas redes sociais e
as poucas pessoas que me viram pessoalmente e que agora me vêm menos ainda, já
devem ter percebido que eu sou inquieta com mudanças no cabelo e que essa
“prática” me é prazerosa. Isso reflete bastante a minha personalidade. Sempre
desejei poder ser eu mesma e externar isso. Nunca foi fácil. Mas onde encontrei
liberdade, foi na forma de mudar o meu cabelo. Sou aficionada por corte curto
feminino e sempre que vejo artistas, ou alguma pessoa com um cabelo curto, que
me chame atenção, eu me imagino nele e fico instigada em fazer. E eu penso,
caramba se eu tivesse esse tal rosto, eu seria careca para sempre. Aliás, foi
assim que comecei a cortar curto o meu cabelo, vendo essas inspirações. O
primeiro corte “radical”, foi devido a uma imagem aleatória do google, que
gostei, rs. Já o segundo foi inspirado na personagem Mikal do filme “Paixão
Suicida”, posteriormente assisti O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e passou a me lembrar o cabelo da personagem também. Nunca soube lidar com cabelo comprido.
Com uns 4 anos de idade (como na foto), eu
própria picotei um pedaço da frente do meu cabelo, aprontando enquanto a mamãe
não estava olhando, rs e para consertar acabou virando uma franja depois de ir
na cabelereira, franja essa, que me acompanhou por alguns anos. Até os meus 11
anos, meu cabelo era “enorme”, mas ele vivia preso num rabo de cavalo, a única vantagem
para mim na época, era que dava para usar Maria Chiquinha. Após isso cortei ele
no tamanho médio, na altura dos ombros mais precisamente, crescia bastante,
voltava a cortar e eu mantinha assim, até os meus 14 anos. Na época eu não me
importava com o meu cabelo, como disse, usava sempre preso e sofria para
pentear, porque eu sempre tive muuuitos fios. Cortei pelo motivo de não usar
ele solto (o que acabou acontecendo, com o corte).
Cabelo longo é sempre muito
elogiado, o curto em mulheres ainda é visto como algo diferente, para uma
grande parcela de pessoas. Talvez, agora menos. Mas o que sempre me incomodou,
foram as pessoas sempre tentando me “impedir” de cortar o cabelo, através da
influência de suas opiniões. Felizmente, isso sempre me motivou a cortar. Tinha
efeito contrário. "Não faz isso" "Seu cabelo é tão lindo"; “Não
precisa cortar tudo”; "Não combina"; Gosto de mulher de cabelo
comprido".
Eu sou diferente e sempre desejei
que as pessoas enxergassem isso como beleza, a minha beleza. E isso é tudo
questão de adaptação e costume. Logo esquecem do seu cabelo longo e quando
deixa crescer, esquecem que já foi curto. É assim mesmo.
Sempre quis ter cabelo vermelho,
desde que eu era pequena. Eu sempre escolhia ser a personagem ruiva dos
desenhos. Enquanto eu não podia, eu compensava com os cortes mesmo. Eu dizia
que primeiro, pintaria de branco por causa da personagem Tempestade do X-Men e
unindo o útil ao agradável, de vermelho para a cor ficar forte, rs. Pensando agora,
lembrei que a primeira personagem ruiva que me inspirou, foi a Ariel de A Pequena Sereia.
Porém, a vontade de ter o cabelo vermelho apenas por gostar da cor e por causa
do cabelo de uma personagem de desenho, acabou tornando-se uma forma me sentir
mais atraente (adolescência têm dessas coisas).
No final dos meus 15 anos, eu
finalmente pintei de vermelho e senti que eu poderia ter mais a ver com a
“tribo” e com o gosto dos roqueiros. O cabelo estava crescendo, após o corte
inspirado na Mikal, porém não aguentei por muito tempo e durou pouco. Logo, ele
continuava vermelho, só que curto, na altura da orelha. Foi a única vez que
sofri com um corte, um pouco no início. Eu não tinha conseguido permanecer
muito tempo na meta “Padrão roqueira, sexy, alternativa e ruiva”. Faltava o
cabelo comprido. Me senti menos bonita (hoje achei que isso foi uma besteira,
mas também consigo me entender na época). Eu ainda era uma menina, o cabelo
comprido poderia me dar a falsa sensação de “mulherão”, mas eu continuaria a
mesma menina desajeitada, diferente e maluquinha que eu era. Após esse corte,
deixei crescer, aparava as pontas quando preciso, movida pela aceitação do que
era bonito.
Na faculdade, deu certo. Eu quase
me tornei popular, se eu não fosse retraída e antissocial e eu nunca quis chegar
a tanto. Foi sucesso, o cabelo vermelho e comprido. Fiquei uns 3 anos e meio,
ruiva, dos 18 ao 19, cabeluda. Até que eu comecei a reparar nos cabelos
naturais e compridos de umas meninas na faculdade. Esse tipo de cabelo, passou
a chamar minha atenção. Passei a sentir falta dos meus, quando eram naturais e
compridos. Enquanto isso, eu tinha vontade de arrancar os meus cabelos com as
mãos. Ele estava elástico, desidratado e muito ressecado por causa de
toda a química. Eu o tingia 1 vez por mês e passei a fazer progressiva para
acabar com a aparência de destruído que estava. Mas durava pouco tempo o efeito,
e eu ia tentando disfarçar com a chapinha. Apesar de tudo, visualmente ele
aparentava estar bonito, era o que diziam pelo menos, mas só eu sei, como erra
passar a mão nele e não sentir mais a textura natural de um cabelo. Ainda não
sei como consegui ficar tanto tempo, presa nesse conceito de beleza. Logo eu. Não
pelo fato de manter o cabelo vermelho, mas pelo que me motivava a continuar. Apesar
de tudo, eu gostava muito da cor, de ser ruiva, me sentia mais bonita e nunca
vou me arrepender, continuarei sendo ruiva para sempre, só que lá no meu
passado. No meio desse tempo fiz undercut e, novamente, ao mencionar que eu ia
fazer, todos do meu círculo social, me aconselharam a não fazer, “não era
bonito”, apesar de serem surpreendidos (eu gostava muito, apesar de ter enjoado
um pouco, quando já estava crescendo). Um
“simples” corte de cabelo, era realmente um evento na minha vida.
Até que um dia, cansada de gastar
com cabelo (praticamente tudo o que eu ganhei de dinheiro em um estágio, foi
investido nas tinturas e progressivas. Anterior e pós o estágio, minha mãe me
ajudava), e querendo recuperar a qualidade do meu cabelo novamente, percebei que
o cabelo vermelho, não estava mais fazendo diferença em como eu estava me
sentindo, nada mais acrescentava. Eu não precisava mais dele, para estar
satisfeita comigo, ou para me sentir mais atraente. Finalmente eu estava
amadurecendo, o que eu sentia e os meus pensamentos, não buscavam mais
aprovação. Eu também não queria mais chamar atenção da forma que citei. Passei
a prezar pela qualidade do cabelo. Eu não nasci ruiva. A cor do meu cabelo
natural é linda, pelo menos eu considero. Decidi me amar como sou naturalmente,
a valorizar e reconhecer o que eu tenho de bonito. Finalmente me livrei da
progressiva também, eu tinha medo dos efeitos que ela poderia me causar no
futuro, não me imaginava dependente dela por muito tempo e o meu cabelo como
ele realmente é, nunca precisou disso.
Em 2014, cortei “joãozinho”, e
passei a cor “castanho”. Chamava atenção de outra forma, do tipo, “Como ela é
corajosa”, “Diferente”. Felizmente fui muito bem elogiada, também. Eu estava
segura, como todas as vezes que decidi cortá-lo, exceto da vez que já
mencionei. Foi um pouco diferente.
Por sorte, além de gostar de
cabelo curto, me senti e me sinto bonita com todos os cortes de cabelo que eu
fiz. E todas as vezes que eu decidi cortar, eu me imaginei e tive certeza de
que eu iria gostar e me sentir bonita. Nunca sofri na hora de passar a tesoura,
sempre me foi um alívio.
Bem, ao me livrar da química, tinha
o objetivo de deixar o meu cabelo crescer, porque eu queria curtir os meus cabelinhos
compridos e naturais novamente. Não descansei, até tirar tudo. Ele já tinha
crescido bastante e rápido. Cortei Chanel ainda, em meados de julho de 2016 e
fiz franja. Na época eu tinha muita vontade de fazer o corte e, aproveitei para
cortar a parte do cabelo e as pontas, que estavam com tinta.
Desde então, não cortei mais o
cabelo e estou deixando crescer (mesmo precisando aparar as pontas. Estou
esperando atingir um certo comprimento, para assim fazer). Devido ao formato do
último corte, eu sempre secava com o secador para modelar e tirar o volume, e
acredito que isso danificou muuito o meu cabelo, a água quente também. Já
tentei “todas” as receitas caseiras, já passei produtos e não tem jeito. Elástico,
ressecado, quebrado e com frizz (mas ainda tem textura de cabelo, rs). Estou apenas
na esperança de um milagre agora, rs. Sei que nunca estarei satisfeita com ele.
Todos os dias, horas, tenho vontade de mudar. Vontade de raspar, nem te conto.
A verdade é que quero muito conseguir curtir o meu cabelo como ele é. Quero ao
mesmo tempo, fazer tudo nele, se eu pudesse eu mudaria a cada hora, rs. Franja,
undercut, colorir, Chanel, comprido e natural, mas estou tentando lidar com
essas vontades fora de tempo.
Quero esclarecer que eu também
acho lindo o cabelo comprido, apenas tenho dificuldades para me adaptar com ele
em mim.
Apesar de não ter vontade ou
pretensões de repetir os mesmos cortes, sinto falta de cada um (que representa
minhas fases), e me perco matando a saudade em fotos.
Gosto de cortes “radicais”,
punks. Também gosto muito dos clássicos, década de 60. O corte curto para mim,
transparece atitude, delicadeza e força, sensualidade. Eu não entendo como
alguns homens e pessoas em geral, ainda não enxergam isso.
Continuo amando o curto, mas
nesse momento, é um corte que atualmente não retrata como estou comigo mesma. Com
tudo isso, quero dizer, que o meu cabelo como está agora, não só vem do desejo
de tê-lo comprido e natural, mas têm a ver com o que eu sou agora (como todos
os cortes que eu já fiz, tinham algo a dizer sobre mim). Me sinto quase um
Forrest Gump, quando sai para correr por aí sem destino, enquanto isso, a barba
e o cabelo crescem desmedidamente. Só que no meu caso, sem energia para correr
e sem a barba, rs. O que tem feito eu me conformar, é que além de não ter
dinheiro para inventar coisa para ele, o meu cabelo é o meu retrato atual. Uma
pessoa insegura, sem perspectivas, que mal levanta da cama, incerta e sem nada
de diferente e especial. É como se eu estivesse escondendo de mim mesma.
É assim que me sinto.
Isso pode parecer bobagem, mas é
assunto de autoestima, que faz parte de todo ser humano.
Por fim, nunca tente agradar
ninguém que não seja você mesma!
A expressão de quem somos deve ser livre de pensamento do próximo, mudanças estéticas são o mais próximo de liberdade que podemos ter e isso não deve ser condicionado por julgamentos alheios.
ResponderExcluirAinda mais você sendo naturalmente bonita.
Obrigada!
ResponderExcluirGosto muito dos seus textos! Sempre te acompanhei desde 2011. Quando eu tinha 14 anos rsrs. Você escreve muito bem.
ResponderExcluirKézia, você não faz ideia o quanto isso me anima, assim como eu não fazia ideia de que alguém poderia acompanhar os meus posts, ainda mais desde o início. Por isso eu não sou compromissada com o blog, visito-o apenas quando estou com o intuito de publicar alguma coisa, mas hoje vi o seu comentário e fiquei contente. Gostaria de conseguir escrever mais, até comecei a dissertar sobre alguns assuntos, mas não consigo encontrar vontade e concentração para continuar, ou começar a fazer isso. Sobre os assuntos que eu já comecei, me sinto deslocada no contexto da onde parei. Mas sabendo disso, vou me esforçar mais para continuar produzindo os meus textos, nos quais trago as minhas experiências e falo sobre mim. Temos quase a mesma idade então, nessa época eu estava com 16 anos. Obrigada por acompanhar e pelo elogio! Espero ter contribuído em algo com os meus textos! Fique a vontade para me contatar nas minhas redes sociais.
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