Criei esse blog com o intuito de desabafar e não para contar minha rotina. Os meus pensamentos nem sempre são colocados em pratica, pois ainda não tenho ousadia suficiente. Relatarei do que sou feita do que sinto e o que penso, não o que faço. Na verdade não acreditei que expor meus pensamentos surgiria algum resultado para alguém, mas nesse espaço consigo ser o que eu quero, é como um livro onde escrevo minha história real, mas que posso reinventá-la e acrescentar meu pensamento poético, aqui a única voz que ouço é a minha, dou ouvido ao que eu penso. Poucos os que se interessaram em compreender meus conceitos ou dão alguma importância, mas como aqui não é um site de relacionamento que muitos achariam perca de tempo ler o que escrevo, pois se estende á muitas linhas, tenho um pouco de esperança que serei reconhecida pelo que penso e não pelo que julgam... Faço disso um exercício para mente. Espero poder ajudar alguém que pensa e sinta parecido comigo... Quero um dia poder deixar minha história e lutar por causas do meu eu, viver uma vida errante, me aventurar no traçado do meu rumo...

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Uma página do meu diário estrito.

Adianto que os meus argumentos são com base na compaixão.
As vezes bate uma fraqueza moral. Nessa madrugada passei por uma incerteza muito forte, coloquei a prova e decidi que iria desistir de continuar persistindo na minha alimentação que é vegetariana estrita, algo que eu acredito e defendo.
Não tenho o intuito de desmotivar ninguém que tenha interesse, ou de descontinuar o que já se teve início. Também não estou fazendo uma crítica. Muito pelo contrário. Quero desabafar um episódio de dificuldade que foi superado, pontuando alguns lados.
São 4 meses e meio sem consumir nenhum alimento de origem animal. Alimentos que me dão água na boca só de pensar (evito pensar), como a tapioca com leite condensado; tapioca com muçarela; pão com manteiga; pão puma com muçarela e maionese; queijos; taças decoradas de sorvete; milk shake de leite ninho; milk shake de paçoca do Bob's; sorvete do McDonald's; molhos industrializados; bolo de prestígio; sovadinho; chocolates comuns; uma vitamina gostosa de abacate- o leite de soja não é gostoso, mas eu consumo mesmo assim; bolacha oreo; pão com ovo. Vale ressaltar que eu amo comer, inclusive tenho o hábito de comer com os olhos. Alguns alimentos nem me eram cotidianos e recorrentes, mas que eu me limitei a nunca mais comer, mesmo tendo oportunidade. Sou a única da minha família que sigo essa alimentação, ou seja, preciso resistir a esses alimentos convidativos, em casa também. Todos esses alimentos, eu nunca consegui reproduzir, repito, o queijo, a manteiga, o leite condensado, a maionese (todas as minhas tentativas dessas receitas, além de não ficarem nada parecidas, fracassaram no sabor). O cacau é bem mais forte e amargo (é gostoso, mas não é a mesma coisa do achocolatado que eu usava no bolo). Por outro lado, descobri receitas igualmente deliciosas, que inclusive compartilho na minha conta do Instagram.
Confesso, que por um lado parece mais fácil, quando batia a vontade de comer uma coisa de pronta hora e eu podia recorrer ao pão com muçarela. Onde eu moro não me dá opções e é de difícil acessibilidade. Na internet, o frete é 10 vezes mais caro que o produto, que já é caro. Tenho resistido a todas essas tentações que nos cercam diariamente. As prateleiras dos mercados são recheadas delas. Se eu quero comer um lanche com pão de hambúrguer por ex., passo o dia na cozinha, para também fazer o pão, além do hambúrguer, então não é simplesmente, deu vontade, que vou lá e coloco o hambúrguer no meio do pão, já pronto. É preciso fazer uma programação. No início é tudo muito empolgante, prazeroso e novo, mas vão chegar dias em que não estamos afim de passar um dia todo na cozinha, quando só queremos algo saboroso e rápido para saciar a fome. A maioria das coisas precisam ser feitas, nada pronto.
Tem sido difícil manter um peso. Descobri que é bem fácil engordar mesmo com a restrição de todos esses alimentos. Ou seja, o problema no ganho de peso, não é um chocolate que você come, mas o excesso. Tenho me alimentado com grandes porções de alimento na hora do almoço, por ex. arroz e feijão eu sempre fui adepta a comer diariamente, tanto que é uma das minhas comidas preferidas, depois de sopa. Então, não vá pensando que vegetariano ou vegano, não come.
Uma das partes boas é que aprendi a comer e a gostar de verduras, legumes, salada em geral.
Não tenho tomado nenhum suplemento de vitaminas. Meus cabelos e unhas sempre foram fracos, porém, estão ainda mais fracos. Minhas unhas parecem papel e o meu cabelo quebradiço, sem viço. O problema dos complexos de vitaminas que vendem em frascos, é que a maioria também são de origem animal. Pretendo fazer novos exames e procurar por opções.
Eu sempre começo dietas, principalmente quando passo do limite (o que me é costumeiro). Estou na segunda semana de uma dieta, que tenho almoçado só salada e comido fruta a tarde e mais nada, num período de dois dias, porque eu conheço o meu limite e depois, sigo diminuindo a quantidade de comida no prato. O pior é que eu não tenho emagrecido. Uns anos atrás, eu tinha parado com tentativas de dietas, porque o meu corpo não aguentava um dia, ficava muito fraca e passava mal. Depois emagreci naturalmente por problemas emocionais, comendo de tudo, ainda tive deficiência de vitaminas. De lá para cá, tenho conseguido passar horas em jejum, comendo muito pouco. Sinto dor se cabeça, um pouco de fraqueza, mas que eu tenho resistido. Isso não é bom exemplo de nada, que fique claro. Os primeiros dois dias dessa semana, eu comecei a tirar o máximo de carboidratos e açúcares. Ou seja, suco natural de fruta, sem açúcar, salada de frutas sem açúcar, que era o que eu estava consumindo. Passei a madrugada em claro, de barriga vazia, pensando em jogar tudo para o alto e voltar a comer tudo o que eu tirei da minha alimentação, de uma vez só. Bem propensa a desenvolver uma compulsão alimentar. Dormi apenas 3 horas pela manhã. Acordei melhor, nem estava mais com tanta fome assim, mas ainda decidida. Por esse motivo também, eu repensei. Dietas nos deixam desequilibradas. Moderar o que comemos é importante, mas sem precisar passar vontade e sem agredir a nossa saúde, para não compensarmos de forma errada.
Mas aí me deparei com essa matéria, “As Vacas “Felizes”, o Leite e o Queijo”: http://www.mudaomundo.org/factos/leite para nunca mais esquecer.
“para manter uma produção quase ininterrupta de leite, as vacas têm de ser repetidamente forçadas a engravidar e a dar à luz um filho.”
“são constantemente obrigadas a ver os filhos recém-nascidos serem-lhes tirados, para que os humanos possam ficar com o leite que era destinado aos seus bezerros.”
“Muitos destes filhos, considerados um subproduto da produção de leite, são mortos pouco após o nascimento por não terem interesse econômico.”
“reprodução seletiva, manipulação genética e alimentação especial, as vacas leiteiras podem produzir hoje cerca de 10 vezes mais leite que um bezerro seu beberia...”
Gostaria que para o conhecimento e reflexão de todos, lessem a matéria até o final.
Um choque de realidade, uma crueldade e tristeza sem tamanho!
A empatia cresceu dentro de mim, voltei a me colocar no lugar dessas bilhões de vidas, reduzidas a nada, que já nascem destinadas a serem sacrificadas e que morrem para nos servir, enquanto a humanidade desfruta da sua carne e do que produzem. Você imagina a humanidade, sujeita a mesma violência que esses animais sofrem? Não poderia ser normal viver indiferente a isso.
Deve ser desesperador o que esses animais sentem, o medo, sabendo que mais cedo ou mais tarte, irão para a forca. E o que eles fizeram para gente? Além de sua docilidade torna-los uma preza fácil, para a exploração humana. É natural do ser humano destruir tudo que lhe é concedido, como o nosso ecossistema, ignorando e pisando nas consequências, visando exclusivamente o lucro e vantagens, sem se importar com mais ninguém, além do próprio umbigo. Enquanto há consumidores no conforto de suas vidas, outras vidas estão sendo torturadas, física e psicologicamente, sem nenhuma esperança de serem salvas.
Vidas comumente descartas, mais importantes do que a do ser humano, que é o dominante e que na maioria das vezes, faz mau uso da sua própria vida.
Me senti culpada por ter pensando em abandonar essa causa. A indústria é pior do que eu imaginava. É claro que a exploração é evidente, mas saber exatamente como funciona o processo, me fez reabrir os olhos para a realidade e lembrar o quanto os hábitos da humanidade são perturbadores. Ignorar a violência, é assumir o peso de uma culpa, que eu não conseguiria carregar. Financiar e participar disso, deveria estar fora de cogitação. 

Contudo, posso dizer que abrir mão dessa causa, tornou-se muito mais difícil do que todas as dificuldades citadas. As razões para não participarmos dessa violência, são muito mais urgentes do que qualquer desejo humano.  São apenas desejos momentâneos, os quais podem ser controlados, como qualquer outro na nossa vida, que dá e uma hora passa, que quando saciados, não são bem aproveitados, por serem sequenciados de várias opções de outros sabores e na maioria das vezes o desejo por alimentos, como os produtos industrializados, não agrega nenhum benefício, se não prazer ao paladar, o que também é importante e possível numa alimentação sem ingredientes de origem animal. Somos capacitados para produzir nossos próprios alimentos.
Gostaria de ser mais consistente e eficiente, o que é difícil em estado de comoção, com sentimento de indignação e pensamentos desordenados. Deixo em aberto, para ocasiões em que eu volto a falar sobre. 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Introdução ao post anterior.


Qual a importância sobre abdicar o seu tempo, escrevendo ou lendo sobre cortes de cabelo feminino e aparência? 
Deixa eu explicar. 
Tenho acompanhado mensagens de empoderamento feminino. Logo, eu, mulher e vítima da opressão, tenho experiências que impactaram na forma como me sinto e me enxergo. 
Infelizmente, paguei um preço por gostar de cabelo curto (isso é apenas a ponta do iceberg).
Me sinto aliviada por assuntos como esses, estarem se disseminando na internet, porque têm me ajudado a entender que não têm nada de errado com os meus gostos e minha aparência. 
Me vejo representada por pessoas que eu gostaria de ter ouvido e compartilhado experiências lá atrás. Mas eu não tive esse apoio.
Nadei contra a corrente, através da forma que eu encontrava para me expressar. O meu cabelo curto não foi bem aceito pelo fato de ser mulher. Como se eu fosse menos feminina, por isso. Sempre foi difícil para as pessoas entenderem, que era uma escolha minha e que era a minha preferência. Parecia ser um erro ou uma loucura. Como se a minha percepção do que era bonito estivesse equivocada, que não era possível ou relevante. Ou estivesse sendo forçada.
Sempre fiz o que eu queria fazer, sem me importar com a opinião dos outros, mas o peso das imposições estéticas femininas, acabaram prejudicando o meu processo de desenvolvimento, a partir de um incomodo interno, passando a interferir na forma como reagi e aceitei padrões como verdades. Cheguei até a pensar que ninguém poderia gostar de mim, apesar de acreditar que esse, não deveria ser um motivo para não gostar de alguém. Aliás, conquiste o amor próprio que nunca dependerá da aprovação, ou do amor de alguém. 
Vivi uma pequena parte da minha vida buscando a perfeição, que depois de muitas frustrações, descobri ser inalcançável, ainda mais quando nos baseamos nas expectativas dos outros, porque é impossível agradar e satisfazer o ser humano (aliás, isso é um grande erro). 
Somos livres para nos expressarmos da forma que somos e que faz nos sentirmos bem.
Me senti motivada a expor minhas experiências, reunindo e analisando os sentimentos, os impasses e as minhas perspectivas da época e atual.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Cabelos, mudanças, autoestima e reticências


Quem me vê pelas redes sociais e as poucas pessoas que me viram pessoalmente e que agora me vêm menos ainda, já devem ter percebido que eu sou inquieta com mudanças no cabelo e que essa “prática” me é prazerosa. Isso reflete bastante a minha personalidade. Sempre desejei poder ser eu mesma e externar isso. Nunca foi fácil. Mas onde encontrei liberdade, foi na forma de mudar o meu cabelo. Sou aficionada por corte curto feminino e sempre que vejo artistas, ou alguma pessoa com um cabelo curto, que me chame atenção, eu me imagino nele e fico instigada em fazer. E eu penso, caramba se eu tivesse esse tal rosto, eu seria careca para sempre. Aliás, foi assim que comecei a cortar curto o meu cabelo, vendo essas inspirações. O primeiro corte “radical”, foi devido a uma imagem aleatória do google, que gostei, rs. Já o segundo foi inspirado na personagem Mikal do filme “Paixão Suicida”, posteriormente assisti O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e passou a me lembrar o cabelo da personagem também. Nunca soube lidar com cabelo comprido.
Com uns 4 anos de idade (como na foto), eu própria picotei um pedaço da frente do meu cabelo, aprontando enquanto a mamãe não estava olhando, rs e para consertar acabou virando uma franja depois de ir na cabelereira, franja essa, que me acompanhou por alguns anos. Até os meus 11 anos, meu cabelo era “enorme”, mas ele vivia preso num rabo de cavalo, a única vantagem para mim na época, era que dava para usar Maria Chiquinha. Após isso cortei ele no tamanho médio, na altura dos ombros mais precisamente, crescia bastante, voltava a cortar e eu mantinha assim, até os meus 14 anos. Na época eu não me importava com o meu cabelo, como disse, usava sempre preso e sofria para pentear, porque eu sempre tive muuuitos fios. Cortei pelo motivo de não usar ele solto (o que acabou acontecendo, com o corte). 
Cabelo longo é sempre muito elogiado, o curto em mulheres ainda é visto como algo diferente, para uma grande parcela de pessoas. Talvez, agora menos. Mas o que sempre me incomodou, foram as pessoas sempre tentando me “impedir” de cortar o cabelo, através da influência de suas opiniões. Felizmente, isso sempre me motivou a cortar. Tinha efeito contrário. "Não faz isso" "Seu cabelo é tão lindo"; “Não precisa cortar tudo”; "Não combina"; Gosto de mulher de cabelo comprido".
Eu sou diferente e sempre desejei que as pessoas enxergassem isso como beleza, a minha beleza. E isso é tudo questão de adaptação e costume. Logo esquecem do seu cabelo longo e quando deixa crescer, esquecem que já foi curto. É assim mesmo.
Sempre quis ter cabelo vermelho, desde que eu era pequena. Eu sempre escolhia ser a personagem ruiva dos desenhos. Enquanto eu não podia, eu compensava com os cortes mesmo. Eu dizia que primeiro, pintaria de branco por causa da personagem Tempestade do X-Men e unindo o útil ao agradável, de vermelho para a cor ficar forte, rs. Pensando agora, lembrei que a primeira personagem ruiva que me inspirou, foi a Ariel de A Pequena Sereia. Porém, a vontade de ter o cabelo vermelho apenas por gostar da cor e por causa do cabelo de uma personagem de desenho, acabou tornando-se uma forma me sentir mais atraente (adolescência têm dessas coisas).
No final dos meus 15 anos, eu finalmente pintei de vermelho e senti que eu poderia ter mais a ver com a “tribo” e com o gosto dos roqueiros. O cabelo estava crescendo, após o corte inspirado na Mikal, porém não aguentei por muito tempo e durou pouco. Logo, ele continuava vermelho, só que curto, na altura da orelha. Foi a única vez que sofri com um corte, um pouco no início. Eu não tinha conseguido permanecer muito tempo na meta “Padrão roqueira, sexy, alternativa e ruiva”. Faltava o cabelo comprido. Me senti menos bonita (hoje achei que isso foi uma besteira, mas também consigo me entender na época). Eu ainda era uma menina, o cabelo comprido poderia me dar a falsa sensação de “mulherão”, mas eu continuaria a mesma menina desajeitada, diferente e maluquinha que eu era. Após esse corte, deixei crescer, aparava as pontas quando preciso, movida pela aceitação do que era bonito.
Na faculdade, deu certo. Eu quase me tornei popular, se eu não fosse retraída e antissocial e eu nunca quis chegar a tanto. Foi sucesso, o cabelo vermelho e comprido. Fiquei uns 3 anos e meio, ruiva, dos 18 ao 19, cabeluda. Até que eu comecei a reparar nos cabelos naturais e compridos de umas meninas na faculdade. Esse tipo de cabelo, passou a chamar minha atenção. Passei a sentir falta dos meus, quando eram naturais e compridos. Enquanto isso, eu tinha vontade de arrancar os meus cabelos com as mãos. Ele estava elástico, desidratado e muito ressecado por causa de toda a química. Eu o tingia 1 vez por mês e passei a fazer progressiva para acabar com a aparência de destruído que estava. Mas durava pouco tempo o efeito, e eu ia tentando disfarçar com a chapinha. Apesar de tudo, visualmente ele aparentava estar bonito, era o que diziam pelo menos, mas só eu sei, como erra passar a mão nele e não sentir mais a textura natural de um cabelo. Ainda não sei como consegui ficar tanto tempo, presa nesse conceito de beleza. Logo eu. Não pelo fato de manter o cabelo vermelho, mas pelo que me motivava a continuar. Apesar de tudo, eu gostava muito da cor, de ser ruiva, me sentia mais bonita e nunca vou me arrepender, continuarei sendo ruiva para sempre, só que lá no meu passado. No meio desse tempo fiz undercut e, novamente, ao mencionar que eu ia fazer, todos do meu círculo social, me aconselharam a não fazer, “não era bonito”, apesar de serem surpreendidos (eu gostava muito, apesar de ter enjoado um pouco, quando já estava crescendo). Um “simples” corte de cabelo, era realmente um evento na minha vida.
Até que um dia, cansada de gastar com cabelo (praticamente tudo o que eu ganhei de dinheiro em um estágio, foi investido nas tinturas e progressivas. Anterior e pós o estágio, minha mãe me ajudava), e querendo recuperar a qualidade do meu cabelo novamente, percebei que o cabelo vermelho, não estava mais fazendo diferença em como eu estava me sentindo, nada mais acrescentava. Eu não precisava mais dele, para estar satisfeita comigo, ou para me sentir mais atraente. Finalmente eu estava amadurecendo, o que eu sentia e os meus pensamentos, não buscavam mais aprovação. Eu também não queria mais chamar atenção da forma que citei. Passei a prezar pela qualidade do cabelo. Eu não nasci ruiva. A cor do meu cabelo natural é linda, pelo menos eu considero. Decidi me amar como sou naturalmente, a valorizar e reconhecer o que eu tenho de bonito. Finalmente me livrei da progressiva também, eu tinha medo dos efeitos que ela poderia me causar no futuro, não me imaginava dependente dela por muito tempo e o meu cabelo como ele realmente é, nunca precisou disso.
Em 2014, cortei “joãozinho”, e passei a cor “castanho”. Chamava atenção de outra forma, do tipo, “Como ela é corajosa”, “Diferente”. Felizmente fui muito bem elogiada, também. Eu estava segura, como todas as vezes que decidi cortá-lo, exceto da vez que já mencionei. Foi um pouco diferente.  
Por sorte, além de gostar de cabelo curto, me senti e me sinto bonita com todos os cortes de cabelo que eu fiz. E todas as vezes que eu decidi cortar, eu me imaginei e tive certeza de que eu iria gostar e me sentir bonita. Nunca sofri na hora de passar a tesoura, sempre me foi um alívio.
Bem, ao me livrar da química, tinha o objetivo de deixar o meu cabelo crescer, porque eu queria curtir os meus cabelinhos compridos e naturais novamente. Não descansei, até tirar tudo. Ele já tinha crescido bastante e rápido. Cortei Chanel ainda, em meados de julho de 2016 e fiz franja. Na época eu tinha muita vontade de fazer o corte e, aproveitei para cortar a parte do cabelo e as pontas, que estavam com tinta.
Desde então, não cortei mais o cabelo e estou deixando crescer (mesmo precisando aparar as pontas. Estou esperando atingir um certo comprimento, para assim fazer). Devido ao formato do último corte, eu sempre secava com o secador para modelar e tirar o volume, e acredito que isso danificou muuito o meu cabelo, a água quente também. Já tentei “todas” as receitas caseiras, já passei produtos e não tem jeito. Elástico, ressecado, quebrado e com frizz (mas ainda tem textura de cabelo, rs). Estou apenas na esperança de um milagre agora, rs. Sei que nunca estarei satisfeita com ele. Todos os dias, horas, tenho vontade de mudar. Vontade de raspar, nem te conto. A verdade é que quero muito conseguir curtir o meu cabelo como ele é. Quero ao mesmo tempo, fazer tudo nele, se eu pudesse eu mudaria a cada hora, rs. Franja, undercut, colorir, Chanel, comprido e natural, mas estou tentando lidar com essas vontades fora de tempo.
Quero esclarecer que eu também acho lindo o cabelo comprido, apenas tenho dificuldades para me adaptar com ele em mim.   
Apesar de não ter vontade ou pretensões de repetir os mesmos cortes, sinto falta de cada um (que representa minhas fases), e me perco matando a saudade em fotos.
Gosto de cortes “radicais”, punks. Também gosto muito dos clássicos, década de 60. O corte curto para mim, transparece atitude, delicadeza e força, sensualidade. Eu não entendo como alguns homens e pessoas em geral, ainda não enxergam isso.
Continuo amando o curto, mas nesse momento, é um corte que atualmente não retrata como estou comigo mesma. Com tudo isso, quero dizer, que o meu cabelo como está agora, não só vem do desejo de tê-lo comprido e natural, mas têm a ver com o que eu sou agora (como todos os cortes que eu já fiz, tinham algo a dizer sobre mim). Me sinto quase um Forrest Gump, quando sai para correr por aí sem destino, enquanto isso, a barba e o cabelo crescem desmedidamente. Só que no meu caso, sem energia para correr e sem a barba, rs. O que tem feito eu me conformar, é que além de não ter dinheiro para inventar coisa para ele, o meu cabelo é o meu retrato atual. Uma pessoa insegura, sem perspectivas, que mal levanta da cama, incerta e sem nada de diferente e especial. É como se eu estivesse escondendo de mim mesma.  É assim que me sinto.
Isso pode parecer bobagem, mas é assunto de autoestima, que faz parte de todo ser humano.

Por fim, nunca tente agradar ninguém que não seja você mesma!