Criei esse blog com o intuito de desabafar e não para contar minha rotina. Os meus pensamentos nem sempre são colocados em pratica, pois ainda não tenho ousadia suficiente. Relatarei do que sou feita do que sinto e o que penso, não o que faço. Na verdade não acreditei que expor meus pensamentos surgiria algum resultado para alguém, mas nesse espaço consigo ser o que eu quero, é como um livro onde escrevo minha história real, mas que posso reinventá-la e acrescentar meu pensamento poético, aqui a única voz que ouço é a minha, dou ouvido ao que eu penso. Poucos os que se interessaram em compreender meus conceitos ou dão alguma importância, mas como aqui não é um site de relacionamento que muitos achariam perca de tempo ler o que escrevo, pois se estende á muitas linhas, tenho um pouco de esperança que serei reconhecida pelo que penso e não pelo que julgam... Faço disso um exercício para mente. Espero poder ajudar alguém que pensa e sinta parecido comigo... Quero um dia poder deixar minha história e lutar por causas do meu eu, viver uma vida errante, me aventurar no traçado do meu rumo...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

O que eu não falei sobre dois mil e vinte...

Poderia resumir o meu ano de dois mil e vinte, nesses últimos dois meses...
Nesse tempo, uma noite passei muito mal, com enjoo e dores estomacais, pensei que iria morrer de tanto vomitar madrugada adentro (o que não me é comum), fui parar no hospital e tomei uma injeção de dramin intramuscular, por ter comido algo que não desceu bem. Também descobri que não mastigo bem, rs.
Mais recentemente (segunda feira para ser mais precisa), tive o que parece uma crise de ansiedade e além de uma noite mal dormida, comecei com uma forte dor de cabeça, onde eu já estava vendo tudo embaçado. Fui comer e senti minha mão direita dormente, pesada e com um formigamento forte e assim que passou enquanto eu ainda comia, meu olho direito também ficou dormente e formigando. Voltei a editar um vídeo que eu tinha gravado no mesmo dia me maquiando, eu estava muito cansada, estressada e preocupada. Eu não sei explicar a sensação, mas o jeito que encontrei que melhor descreve, é dizendo que foi como se eu sentisse “meus neurônios morrendo”, assustada fui falar com a minha mãe e a minha irmã, mas eu não conseguia pronunciar corretamente as palavras, eu estava querendo dizer que estava com muita dor de cabeça (eu já havia dito antes disso), elas repetiam o que eu queria falar e eu tentava repetir, mas eu não conseguia, continuava falando letras desconexas que não formulava uma palavra (nem na minha cabeça), parecia impossível e isso durou alguns minutos. Eu fiquei com muito medo, desesperada, chorei pensando que poderia estar desaprendendo e perdendo a minha capacidade de compreensão, pensei em não saber mais escrever, conversar, falar, ler ou compreender uma série. Foi uma das piores sensações da minha vida. Mesmo depois de conseguir falar certo novamente, eu também havia esquecido o nome das coisas, (ex. eu queria falar sobre o meus piercings e não lembrava que se chamava "piercing", ou um algodão não conseguia lembrar da palavra “algodão”), demorei mais alguns minutos para ir lembrando o nomes das coisas. Então, pensamos na possibilidade de ter sido um AVC, mas o médico disse que foi uma crise de ansiedade e para eu procurar um psiquiatra que iria me medicar. Me medicou mais uma injeção na bunda, só que dessa vez foi calmante. Que eu tenho ansiedade, não é novidade para ninguém, já senti dor no peito várias vezes, me sinto acelerada, tenho dificuldade de respirar e uma tosse seca que se eu não botar para fora, parece que vou morrer sufocada. Mas eu NUNCA pensei que poderia passar por algo parecido. O tempo passa, a idade chega e os problemas aumentam quando não prevenidos antes.
Além das minhas paranoias durante esse tempo de cicatrização dos piercings, o que também está me deixando preocupada, é que minha irmã foi testada positivo para o covid-19, possivelmente adquirida no trabalho. Por sorte, ela não está apresentando sintomas. Hoje, dia vinte e três do doze, eu e minha mãe que moramos juntas, testamos negativo, o que não sabem explicar (visto que antes de sabermos o resultado da minha irmã, estávamos convivendo normalmente), porém enquanto a minha irmã não estiver livre do vírus, podemos pegar a qualquer momento, pairando assim, as incertezas que aparecem e parecem não acabar e desassossegam a minha cabeça. Tudo isso sem sair de casa...
Mais uma noite que não durmo, mas hoje eu escrevo....
Há mais de um ano venho lidando com uma dermatite perioral (que afetou bastante minha autoestima) e que ainda não encontrei uma solução e talvez nunca encontre. Só pude procurar ajuda médica, muito tempo depois do início. Passei pelo particular com a primeira dermatologista, qual não apresentou resultado e não pude continuar. Depois de mais uma longa espera consegui passar com uma dermatologista da saúde pública, que me passou um tratamento onde apresentou melhoras, mas não acabou com a alergia. Então, às vezes volta a ficar ruim, mas nunca cem por cento como a minha boca era antes. Os lábios, acima e abaixo deles, queimam, ardem, coçam, ficam muito vermelhos e descamam. Por conta disso, abriu-se a possibilidade de que fosse uma alergia alimentar por contato e descobri recentemente que o tomate é o que mais agride a minha pele da boca. Percebo também leves reações de outros alimentos, mas não é uma certeza. O fato é, não acaba. Isso me deixa limitada e tive que me reinventar. Consegui substituir o extrato de tomate pela páprica doce na minha sopa (eu amo sopa) garantindo um sabor gostoso. O macarrão ainda está em fase de testes, mas quem não gosta de um tomatinho cereja, não é mesmo? Para mim, não rola mais. Eu estava me alimentando muito bem e me sentindo bem nesse quesito, quando tive que testar todos os alimentos do meu dia a dia (tendo que parar de comer) para descobrir qual ou quais poderiam estar desencadeando a alergia, já que eu parei de usar todo tipo de cosméticos. Parei até mesmo com o arroz e o feijão, dentre outros o que bagunçou tudo, porque eu passei a ficar muito limitada e ter como opção massas, frituras e passei também a exagerar na comida. Agora está bem difícil a voltar como antes.
Além do de sempre, improdutividade, procrastinação. Assisti pouco e li menos ainda, o mesmo vale para música. Tive algumas ideias de amadora e quando coloquei em produção, cada uma era um surto. Ou seja, não estou podendo inventar nada, que eu arrumo coisa para cabeça. Venho sobrevivendo na lei do mínimo esforço.
Para finalizar, uma coisa que aconteceu na metade desse ano e que comparado a tudo isso, sobrou risadas. Numa noite de sábado em casa, preparei e bebi muita cuba libre. Bebi sozinha e fui dormir derrubada, acordei vomitando e cercada pelo vômito que coloquei para fora e não percebi enquanto eu dormia a madrugada toda. Eu tentei continuar dormindo, mas estava alagada no vômito, rs. Eram cinco horas da manhã, eu me levantei e corri para o banho. Numa dessas, na pior das hipóteses eu poderia ter perdido a minha cama de casal novinha, ou morrido engasgada e sem perceber, mas com uma limpeza pesada e um solzinho, consegui recuperar, parece nova de novo (nem lembranças do que aconteceu). Desde o início encarei isso numa boa, considerando que é uma coisa material.
É isso, só queria deixar registrado o meu ano que não foi fácil, como não foi para ninguém, alias para muitos, pior.