Adianto que os meus argumentos são com base na compaixão.
As vezes bate uma fraqueza moral. Nessa madrugada passei por
uma incerteza muito forte, coloquei a prova e decidi que iria desistir de continuar
persistindo na minha alimentação que é vegetariana estrita, algo que eu
acredito e defendo.
Não tenho o intuito de desmotivar ninguém que tenha interesse, ou de
descontinuar o que já se teve início. Também não estou fazendo uma crítica.
Muito pelo contrário. Quero desabafar um episódio de dificuldade que foi
superado, pontuando alguns lados.
São 4 meses e meio sem
consumir nenhum alimento de origem animal. Alimentos que me dão água na boca só
de pensar (evito pensar), como a tapioca com leite condensado; tapioca com muçarela;
pão com manteiga; pão puma com muçarela e maionese; queijos; taças decoradas de
sorvete; milk shake de leite ninho; milk shake de paçoca do Bob's; sorvete do McDonald's; molhos industrializados; bolo de prestígio; sovadinho; chocolates
comuns; uma vitamina gostosa de abacate- o leite de soja não é gostoso, mas eu
consumo mesmo assim; bolacha oreo; pão com ovo. Vale
ressaltar que eu amo comer, inclusive tenho o hábito de comer com os olhos. Alguns
alimentos nem me eram cotidianos e recorrentes, mas que eu me limitei a nunca
mais comer, mesmo tendo oportunidade. Sou a única da minha família que sigo
essa alimentação, ou seja, preciso resistir a esses alimentos convidativos, em
casa também. Todos esses alimentos, eu nunca consegui reproduzir, repito, o
queijo, a manteiga, o leite condensado, a maionese (todas as minhas tentativas dessas receitas, além de não ficarem nada parecidas, fracassaram no sabor). O cacau é bem
mais forte e amargo (é gostoso, mas não é a mesma coisa do achocolatado que eu
usava no bolo). Por outro lado, descobri receitas igualmente deliciosas, que
inclusive compartilho na minha conta do Instagram.
Confesso, que por um lado parece mais fácil, quando batia a
vontade de comer uma coisa de pronta hora e eu podia recorrer ao pão com muçarela.
Onde eu moro não me dá opções e é de difícil acessibilidade. Na internet, o
frete é 10 vezes mais caro que o produto, que já é caro. Tenho resistido a
todas essas tentações que nos cercam diariamente. As prateleiras dos mercados
são recheadas delas. Se eu quero comer um lanche com pão de hambúrguer por ex.,
passo o dia na cozinha, para também fazer o pão, além do hambúrguer,
então não é simplesmente, deu vontade, que vou lá e coloco o hambúrguer no meio
do pão, já pronto. É preciso fazer uma programação. No início é tudo muito empolgante,
prazeroso e novo, mas vão chegar dias em que não estamos afim de passar um dia
todo na cozinha, quando só queremos algo saboroso e rápido para saciar a fome. A
maioria das coisas precisam ser feitas, nada pronto.
Tem sido difícil manter um peso. Descobri que é bem fácil
engordar mesmo com a restrição de todos esses alimentos. Ou seja, o problema no
ganho de peso, não é um chocolate que você come, mas o excesso. Tenho me
alimentado com grandes porções de alimento na hora do almoço, por ex. arroz e
feijão eu sempre fui adepta a comer diariamente, tanto que é uma das minhas
comidas preferidas, depois de sopa. Então, não vá pensando que vegetariano ou
vegano, não come.
Uma das partes boas é que aprendi a comer e a gostar de
verduras, legumes, salada em geral.
Não tenho tomado nenhum suplemento de vitaminas. Meus
cabelos e unhas sempre foram fracos, porém, estão ainda mais fracos. Minhas
unhas parecem papel e o meu cabelo quebradiço, sem viço. O problema dos
complexos de vitaminas que vendem em frascos, é que a maioria também são de
origem animal. Pretendo fazer novos exames e procurar por opções.
Eu sempre começo dietas, principalmente quando passo do
limite (o que me é costumeiro). Estou na segunda semana de uma dieta, que tenho
almoçado só salada e comido fruta a tarde e mais nada, num período de dois
dias, porque eu conheço o meu limite e depois, sigo diminuindo a quantidade de
comida no prato. O pior é que eu não tenho emagrecido. Uns anos atrás, eu tinha
parado com tentativas de dietas, porque o meu corpo não aguentava um dia,
ficava muito fraca e passava mal. Depois emagreci naturalmente por problemas
emocionais, comendo de tudo, ainda tive deficiência de vitaminas. De lá para
cá, tenho conseguido passar horas em jejum, comendo muito pouco. Sinto dor se
cabeça, um pouco de fraqueza, mas que eu tenho resistido. Isso não é bom exemplo
de nada, que fique claro. Os primeiros dois dias dessa semana, eu comecei a
tirar o máximo de carboidratos e açúcares. Ou seja, suco natural de fruta, sem açúcar,
salada de frutas sem açúcar, que era o que eu estava consumindo. Passei a
madrugada em claro, de barriga vazia, pensando em jogar tudo para o alto e
voltar a comer tudo o que eu tirei da minha alimentação, de uma vez só. Bem
propensa a desenvolver uma compulsão alimentar. Dormi apenas 3 horas pela
manhã. Acordei melhor, nem estava mais
com tanta fome assim, mas ainda decidida. Por esse motivo também, eu repensei.
Dietas nos deixam desequilibradas. Moderar o que comemos é importante, mas sem
precisar passar vontade e sem agredir a nossa saúde, para não compensarmos de
forma errada.
Mas aí me deparei com essa matéria, “As Vacas “Felizes”, o
Leite e o Queijo”: http://www.mudaomundo.org/factos/leite , para nunca mais esquecer.
“para manter
uma produção quase ininterrupta de leite, as vacas têm de ser repetidamente
forçadas a engravidar e a dar à luz um filho.”
“são
constantemente obrigadas a ver os filhos recém-nascidos serem-lhes tirados,
para que os humanos possam ficar com o leite que era destinado aos seus
bezerros.”
“Muitos destes
filhos, considerados um subproduto da produção de leite, são mortos pouco após
o nascimento por não terem interesse econômico.”
“reprodução
seletiva, manipulação genética e alimentação especial, as vacas leiteiras podem
produzir hoje cerca de 10 vezes mais leite que um bezerro seu beberia...”
Gostaria que para o conhecimento e reflexão de todos, lessem
a matéria até o final.
Um choque de realidade, uma crueldade e tristeza sem tamanho!
A empatia cresceu dentro de mim, voltei a me colocar no
lugar dessas bilhões de vidas, reduzidas a nada, que já nascem destinadas a serem
sacrificadas e que morrem para nos servir, enquanto a humanidade desfruta da sua
carne e do que produzem. Você imagina a humanidade, sujeita a mesma violência
que esses animais sofrem? Não poderia ser normal viver indiferente a isso.
Deve ser desesperador o que esses animais sentem, o medo, sabendo
que mais cedo ou mais tarte, irão para a forca. E o que eles fizeram para
gente? Além de sua docilidade torna-los uma preza fácil, para a exploração
humana. É natural do ser humano destruir tudo que lhe é concedido, como o nosso
ecossistema, ignorando e pisando nas consequências, visando exclusivamente o
lucro e vantagens, sem se importar com mais ninguém, além do próprio umbigo.
Enquanto há consumidores no conforto de suas vidas, outras vidas estão sendo
torturadas, física e psicologicamente, sem nenhuma esperança de serem salvas.
Vidas comumente descartas, mais importantes do que a do ser
humano, que é o dominante e que na maioria das vezes, faz mau uso da sua
própria vida.
Me senti culpada por ter pensando em abandonar essa causa. A indústria é pior
do que eu imaginava. É claro que a exploração é evidente, mas saber exatamente
como funciona o processo, me fez reabrir os olhos para a realidade e lembrar o
quanto os hábitos da humanidade são perturbadores. Ignorar a violência, é
assumir o peso de uma culpa, que eu não conseguiria carregar. Financiar e
participar disso, deveria estar fora de cogitação.
Contudo, posso dizer que abrir mão dessa causa, tornou-se
muito mais difícil do que todas as dificuldades citadas. As razões para não
participarmos dessa violência, são muito mais urgentes do que qualquer desejo
humano. São apenas desejos momentâneos, os
quais podem ser controlados, como qualquer outro na nossa vida, que dá e uma
hora passa, que quando saciados, não são bem aproveitados, por serem
sequenciados de várias opções de outros sabores e na maioria das vezes o desejo
por alimentos, como os produtos industrializados, não agrega nenhum benefício,
se não prazer ao paladar, o que também é importante e possível numa alimentação
sem ingredientes de origem animal. Somos capacitados para produzir nossos próprios
alimentos.
Gostaria de ser mais consistente e eficiente, o que é
difícil em estado de comoção, com sentimento de indignação e pensamentos
desordenados. Deixo em aberto, para ocasiões em que eu volto a falar
sobre.