Criei esse blog com o intuito de desabafar e não para contar minha rotina. Os meus pensamentos nem sempre são colocados em pratica, pois ainda não tenho ousadia suficiente. Relatarei do que sou feita do que sinto e o que penso, não o que faço. Na verdade não acreditei que expor meus pensamentos surgiria algum resultado para alguém, mas nesse espaço consigo ser o que eu quero, é como um livro onde escrevo minha história real, mas que posso reinventá-la e acrescentar meu pensamento poético, aqui a única voz que ouço é a minha, dou ouvido ao que eu penso. Poucos os que se interessaram em compreender meus conceitos ou dão alguma importância, mas como aqui não é um site de relacionamento que muitos achariam perca de tempo ler o que escrevo, pois se estende á muitas linhas, tenho um pouco de esperança que serei reconhecida pelo que penso e não pelo que julgam... Faço disso um exercício para mente. Espero poder ajudar alguém que pensa e sinta parecido comigo... Quero um dia poder deixar minha história e lutar por causas do meu eu, viver uma vida errante, me aventurar no traçado do meu rumo...

sábado, 13 de janeiro de 2018

Cabelos, mudanças, autoestima e reticências


Quem me vê pelas redes sociais e as poucas pessoas que me viram pessoalmente e que agora me vêm menos ainda, já devem ter percebido que eu sou inquieta com mudanças no cabelo e que essa “prática” me é prazerosa. Isso reflete bastante a minha personalidade. Sempre desejei poder ser eu mesma e externar isso. Nunca foi fácil. Mas onde encontrei liberdade, foi na forma de mudar o meu cabelo. Sou aficionada por corte curto feminino e sempre que vejo artistas, ou alguma pessoa com um cabelo curto, que me chame atenção, eu me imagino nele e fico instigada em fazer. E eu penso, caramba se eu tivesse esse tal rosto, eu seria careca para sempre. Aliás, foi assim que comecei a cortar curto o meu cabelo, vendo essas inspirações. O primeiro corte “radical”, foi devido a uma imagem aleatória do google, que gostei, rs. Já o segundo foi inspirado na personagem Mikal do filme “Paixão Suicida”, posteriormente assisti O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e passou a me lembrar o cabelo da personagem também. Nunca soube lidar com cabelo comprido.
Com uns 4 anos de idade (como na foto), eu própria picotei um pedaço da frente do meu cabelo, aprontando enquanto a mamãe não estava olhando, rs e para consertar acabou virando uma franja depois de ir na cabelereira, franja essa, que me acompanhou por alguns anos. Até os meus 11 anos, meu cabelo era “enorme”, mas ele vivia preso num rabo de cavalo, a única vantagem para mim na época, era que dava para usar Maria Chiquinha. Após isso cortei ele no tamanho médio, na altura dos ombros mais precisamente, crescia bastante, voltava a cortar e eu mantinha assim, até os meus 14 anos. Na época eu não me importava com o meu cabelo, como disse, usava sempre preso e sofria para pentear, porque eu sempre tive muuuitos fios. Cortei pelo motivo de não usar ele solto (o que acabou acontecendo, com o corte). 
Cabelo longo é sempre muito elogiado, o curto em mulheres ainda é visto como algo diferente, para uma grande parcela de pessoas. Talvez, agora menos. Mas o que sempre me incomodou, foram as pessoas sempre tentando me “impedir” de cortar o cabelo, através da influência de suas opiniões. Felizmente, isso sempre me motivou a cortar. Tinha efeito contrário. "Não faz isso" "Seu cabelo é tão lindo"; “Não precisa cortar tudo”; "Não combina"; Gosto de mulher de cabelo comprido".
Eu sou diferente e sempre desejei que as pessoas enxergassem isso como beleza, a minha beleza. E isso é tudo questão de adaptação e costume. Logo esquecem do seu cabelo longo e quando deixa crescer, esquecem que já foi curto. É assim mesmo.
Sempre quis ter cabelo vermelho, desde que eu era pequena. Eu sempre escolhia ser a personagem ruiva dos desenhos. Enquanto eu não podia, eu compensava com os cortes mesmo. Eu dizia que primeiro, pintaria de branco por causa da personagem Tempestade do X-Men e unindo o útil ao agradável, de vermelho para a cor ficar forte, rs. Pensando agora, lembrei que a primeira personagem ruiva que me inspirou, foi a Ariel de A Pequena Sereia. Porém, a vontade de ter o cabelo vermelho apenas por gostar da cor e por causa do cabelo de uma personagem de desenho, acabou tornando-se uma forma me sentir mais atraente (adolescência têm dessas coisas).
No final dos meus 15 anos, eu finalmente pintei de vermelho e senti que eu poderia ter mais a ver com a “tribo” e com o gosto dos roqueiros. O cabelo estava crescendo, após o corte inspirado na Mikal, porém não aguentei por muito tempo e durou pouco. Logo, ele continuava vermelho, só que curto, na altura da orelha. Foi a única vez que sofri com um corte, um pouco no início. Eu não tinha conseguido permanecer muito tempo na meta “Padrão roqueira, sexy, alternativa e ruiva”. Faltava o cabelo comprido. Me senti menos bonita (hoje achei que isso foi uma besteira, mas também consigo me entender na época). Eu ainda era uma menina, o cabelo comprido poderia me dar a falsa sensação de “mulherão”, mas eu continuaria a mesma menina desajeitada, diferente e maluquinha que eu era. Após esse corte, deixei crescer, aparava as pontas quando preciso, movida pela aceitação do que era bonito.
Na faculdade, deu certo. Eu quase me tornei popular, se eu não fosse retraída e antissocial e eu nunca quis chegar a tanto. Foi sucesso, o cabelo vermelho e comprido. Fiquei uns 3 anos e meio, ruiva, dos 18 ao 19, cabeluda. Até que eu comecei a reparar nos cabelos naturais e compridos de umas meninas na faculdade. Esse tipo de cabelo, passou a chamar minha atenção. Passei a sentir falta dos meus, quando eram naturais e compridos. Enquanto isso, eu tinha vontade de arrancar os meus cabelos com as mãos. Ele estava elástico, desidratado e muito ressecado por causa de toda a química. Eu o tingia 1 vez por mês e passei a fazer progressiva para acabar com a aparência de destruído que estava. Mas durava pouco tempo o efeito, e eu ia tentando disfarçar com a chapinha. Apesar de tudo, visualmente ele aparentava estar bonito, era o que diziam pelo menos, mas só eu sei, como erra passar a mão nele e não sentir mais a textura natural de um cabelo. Ainda não sei como consegui ficar tanto tempo, presa nesse conceito de beleza. Logo eu. Não pelo fato de manter o cabelo vermelho, mas pelo que me motivava a continuar. Apesar de tudo, eu gostava muito da cor, de ser ruiva, me sentia mais bonita e nunca vou me arrepender, continuarei sendo ruiva para sempre, só que lá no meu passado. No meio desse tempo fiz undercut e, novamente, ao mencionar que eu ia fazer, todos do meu círculo social, me aconselharam a não fazer, “não era bonito”, apesar de serem surpreendidos (eu gostava muito, apesar de ter enjoado um pouco, quando já estava crescendo). Um “simples” corte de cabelo, era realmente um evento na minha vida.
Até que um dia, cansada de gastar com cabelo (praticamente tudo o que eu ganhei de dinheiro em um estágio, foi investido nas tinturas e progressivas. Anterior e pós o estágio, minha mãe me ajudava), e querendo recuperar a qualidade do meu cabelo novamente, percebei que o cabelo vermelho, não estava mais fazendo diferença em como eu estava me sentindo, nada mais acrescentava. Eu não precisava mais dele, para estar satisfeita comigo, ou para me sentir mais atraente. Finalmente eu estava amadurecendo, o que eu sentia e os meus pensamentos, não buscavam mais aprovação. Eu também não queria mais chamar atenção da forma que citei. Passei a prezar pela qualidade do cabelo. Eu não nasci ruiva. A cor do meu cabelo natural é linda, pelo menos eu considero. Decidi me amar como sou naturalmente, a valorizar e reconhecer o que eu tenho de bonito. Finalmente me livrei da progressiva também, eu tinha medo dos efeitos que ela poderia me causar no futuro, não me imaginava dependente dela por muito tempo e o meu cabelo como ele realmente é, nunca precisou disso.
Em 2014, cortei “joãozinho”, e passei a cor “castanho”. Chamava atenção de outra forma, do tipo, “Como ela é corajosa”, “Diferente”. Felizmente fui muito bem elogiada, também. Eu estava segura, como todas as vezes que decidi cortá-lo, exceto da vez que já mencionei. Foi um pouco diferente.  
Por sorte, além de gostar de cabelo curto, me senti e me sinto bonita com todos os cortes de cabelo que eu fiz. E todas as vezes que eu decidi cortar, eu me imaginei e tive certeza de que eu iria gostar e me sentir bonita. Nunca sofri na hora de passar a tesoura, sempre me foi um alívio.
Bem, ao me livrar da química, tinha o objetivo de deixar o meu cabelo crescer, porque eu queria curtir os meus cabelinhos compridos e naturais novamente. Não descansei, até tirar tudo. Ele já tinha crescido bastante e rápido. Cortei Chanel ainda, em meados de julho de 2016 e fiz franja. Na época eu tinha muita vontade de fazer o corte e, aproveitei para cortar a parte do cabelo e as pontas, que estavam com tinta.
Desde então, não cortei mais o cabelo e estou deixando crescer (mesmo precisando aparar as pontas. Estou esperando atingir um certo comprimento, para assim fazer). Devido ao formato do último corte, eu sempre secava com o secador para modelar e tirar o volume, e acredito que isso danificou muuito o meu cabelo, a água quente também. Já tentei “todas” as receitas caseiras, já passei produtos e não tem jeito. Elástico, ressecado, quebrado e com frizz (mas ainda tem textura de cabelo, rs). Estou apenas na esperança de um milagre agora, rs. Sei que nunca estarei satisfeita com ele. Todos os dias, horas, tenho vontade de mudar. Vontade de raspar, nem te conto. A verdade é que quero muito conseguir curtir o meu cabelo como ele é. Quero ao mesmo tempo, fazer tudo nele, se eu pudesse eu mudaria a cada hora, rs. Franja, undercut, colorir, Chanel, comprido e natural, mas estou tentando lidar com essas vontades fora de tempo.
Quero esclarecer que eu também acho lindo o cabelo comprido, apenas tenho dificuldades para me adaptar com ele em mim.   
Apesar de não ter vontade ou pretensões de repetir os mesmos cortes, sinto falta de cada um (que representa minhas fases), e me perco matando a saudade em fotos.
Gosto de cortes “radicais”, punks. Também gosto muito dos clássicos, década de 60. O corte curto para mim, transparece atitude, delicadeza e força, sensualidade. Eu não entendo como alguns homens e pessoas em geral, ainda não enxergam isso.
Continuo amando o curto, mas nesse momento, é um corte que atualmente não retrata como estou comigo mesma. Com tudo isso, quero dizer, que o meu cabelo como está agora, não só vem do desejo de tê-lo comprido e natural, mas têm a ver com o que eu sou agora (como todos os cortes que eu já fiz, tinham algo a dizer sobre mim). Me sinto quase um Forrest Gump, quando sai para correr por aí sem destino, enquanto isso, a barba e o cabelo crescem desmedidamente. Só que no meu caso, sem energia para correr e sem a barba, rs. O que tem feito eu me conformar, é que além de não ter dinheiro para inventar coisa para ele, o meu cabelo é o meu retrato atual. Uma pessoa insegura, sem perspectivas, que mal levanta da cama, incerta e sem nada de diferente e especial. É como se eu estivesse escondendo de mim mesma.  É assim que me sinto.
Isso pode parecer bobagem, mas é assunto de autoestima, que faz parte de todo ser humano.

Por fim, nunca tente agradar ninguém que não seja você mesma!