Criei esse blog com o intuito de desabafar e não para contar minha rotina. Os meus pensamentos nem sempre são colocados em pratica, pois ainda não tenho ousadia suficiente. Relatarei do que sou feita do que sinto e o que penso, não o que faço. Na verdade não acreditei que expor meus pensamentos surgiria algum resultado para alguém, mas nesse espaço consigo ser o que eu quero, é como um livro onde escrevo minha história real, mas que posso reinventá-la e acrescentar meu pensamento poético, aqui a única voz que ouço é a minha, dou ouvido ao que eu penso. Poucos os que se interessaram em compreender meus conceitos ou dão alguma importância, mas como aqui não é um site de relacionamento que muitos achariam perca de tempo ler o que escrevo, pois se estende á muitas linhas, tenho um pouco de esperança que serei reconhecida pelo que penso e não pelo que julgam... Faço disso um exercício para mente. Espero poder ajudar alguém que pensa e sinta parecido comigo... Quero um dia poder deixar minha história e lutar por causas do meu eu, viver uma vida errante, me aventurar no traçado do meu rumo...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A minha avó não pôde fazer bolos e me contar histórias...

Eu tenho a consciência e a sensibilidade de saber que não fui uma boa neta e já pensei que evitar demonstrar algum tipo de afeto, seria o melhor para as duas e também o mais sincero. Mas a verdade é que me dói muito pensar no quanto fui impaciente durante os 18 anos em que moramos juntas, não justifico meu comportamento somente a juventude, mas o tempo colaborou com isso, nossas naturezas, as dificuldades e as suas ideias que já não eram certas. Reconheço que o tempo em que tem estado em mãos habilitadas, me reaproximou dela sob os meus sentimentos. Não se trata de um pedido de desculpas, ou alguma forma de me redimir e me explicar, mas essa é a realidade que dá sentido ao que quero expressar. Eu gostaria de conseguir dizer o que sinto diretamente para a minha avó, mas além de lhe cair no esquecimento, quando eu a vejo, não consigo dizer muita coisa, além de uma breve conversa e de ter que contornar as minhas lágrimas o tempo todo, antes que derramem e lhe causem tristeza, enquanto muitas coisas se passam pela minha cabeça.
As vezes penso se sou uma pessoa boa e se mereço tudo o que tenho, ou se muitas coisas pararam de dar certo como um castigo.
A velhice me parece solitária no interior de si, mesmo com toda atenção e cuidado que meus pais dedicaram da sua vida à minha avó e a tudo que o meu pai faz para proporcionar-lhe dias melhores.
Apesar da fragilidade pela idade, minha avó é e sempre foi uma mulher forte e se não fosse os vacilos de sua mente, seria invencível. Só ela e seu crédulo Deus para saber de tudo o que enfrentou e sofreu. Nenhuma vida inteira poderia compensar-lhe por isso. Eu só gostaria de aproveitar o espaço e guardar aqui também os meus sentimentos, através dessas linhas. A minha avó já não é mais tão falante, as coisas de um tempo pra cá não tem podido ser como antes, mas eu espero que o seu silêncio seja convertido em paz e conforto. A minha avó é um ser humano muito especial, que conquistou para sempre o seu lugar em memória e no coração de nossa família. A minha avó não pôde fazer bolos e me contar histórias, mas mesmo assim eu sempre soube que ela nos ama.
Dia 7 de janeiro desse ano, quando fui visita-la junto a minha família, ela fez o gesto de tirar o meu boné e colocar em sua cabeça, estampando um sorriso em seu rosto, onde eu a reconheci novamente e fiquei contente com a sua atitude. Gostei de ouvi-la dizer algumas coisas que pensa e que ainda fazem muito sentido. Em resumo, eu só queria falar dessa pessoa e de sua figura qual acompanhou a minha formação pessoal e que é uma grande mulher. Suas particularidades a tornam única.